A coleção Outono/Inverno 2025 da Tod's foi uma reafirmação confiante da dedicação da marca ao artesanato, ao luxo discreto e à elegância contemporânea. Com Matteo Tamburini no comando, a marca italiana apresentou uma linha que celebrava texturas ricas, alfaiataria impecável e uma evolução sutil de suas peças tradicionais.
Desde o início, ficou evidente que o foco da Tamburini nesta temporada era a experiência tátil da moda. Recepcionando os convidados no PAC – o Pavilhão de Arte Contemporânea projetado nos anos 50 e reconstruído após o bombardeio dos anos 90 – estava uma escultural Carla Bruni, envolta em couro reciclado da Tod's, imponente graças a uma obra de arte de Nelly Agassi, segurando uma agulha gigante como um aceno ao artesanato da marca. Tamburini não é novato em promover instalações antes de seus desfiles, com a intenção de celebrar os valores essenciais da maison e, ao mesmo tempo, apresentar o foco da temporada. Foi assim que agasalhos luxuosos ganharam destaque na passarela, com suntuosas peles de carneiro, lã de alpaca escovada e couro finamente estruturado. Cada peça foi projetada não apenas para causar impacto visual, mas também para ser sentida. Com a alfaiataria sendo um componente essencial do DNA da Tod's, os designs de Tamburini privilegiavam linhas limpas e arquitetônicas, com blazers estruturados, casacos de lã impecavelmente cortados e saias que exalavam confiança sem esforço. A coleção não se baseou em enfeites ou artifícios excessivos: deixou a resistência da construção e a qualidade dos materiais falarem por si. As silhuetas eram precisas, mas nunca rígidas, ajustadas na cintura, mas relaxadas o suficiente para evocar uma sensação de conforto.
Nenhuma coleção da Tod's estaria completa sem seus icônicos artigos de couro, e a linha Outono 2025 focou em cintos, que desempenharam um papel crucial na definição de silhuetas e na adição de um acabamento polido a muitos dos looks de alfaiataria. Enquanto isso, botas de couro de cano alto reforçaram o ethos sofisticado, porém pragmático, da temporada, enquanto bolsas relembraram a arte escultural usada por Carla Bruni na entrada com seus remendos de couro. Estruturadas, mas com uma atitude suave ao mesmo tempo, elas eram carregadas à mão ou com facilidade, às vezes texturizadas com materiais de camurça de avestruz. Carteiras e bolsas menores de couro estavam espalhadas pela coleção, presas a bolsas tote ou na lateral de um cinto por ganchos refinados de aço e couro. Por fim, luvas com a mesma abordagem de patchwork e óculos de sol com formato orgânico complementaram perfeitamente a coleção Outono 25 da Tod's, resumindo sua paleta de cores. Tons terrosos estavam no centro do desfile, com um cenário que exalava elegância discreta, espelhando a estética da marca: discreta e luxuosa. Entre verdes oliva e cinzas empoeirados, diferentes tons de vermelho fizeram com que alguns elementos se destacassem no guarda-roupa: um casaco trespassado, uma camisa casual, porém formal, uma bolsa dobrável de couro de crocodilo, um impressionante sobretudo de inverno, um cachecol sutil com borlas e uma bolsa triangular combinada com as cores primárias azul e amarelo.
Não houve mudanças radicais na estética habitual da Tod's, nem reinvenções drásticas – apenas um refinamento constante do que a marca faz de melhor. Numa era em que muitas casas de luxo buscam o maximalismo, a Tod's mantém-se firmemente comprometida com sua abordagem sóbria e elegante. A visão de Matteo Tamburini não se resume à reinvenção pela reinvenção; em vez disso, oferece uma dedicação inabalável ao estilo atemporal e ao artesanato artesanal. Embora alguns possam desejar uma mudança mais ousada, outros apreciarão a mão firme com que ele conduz a marca.
Cortesia: Tod's
Texto: Giorgia Feroldi